( aqui no blogue ... ocasionalmente )
O
Caso do Peru Assado e o Piano de Tricô
O detective Silvério entrou no
necrotério ajustando a gravata borboleta que usava por cima do pijama de
flanela. O cadáver sobre a mesa de inox era um peru assado de Natal, perfurado
por três tiros de fita adesiva.
— Qual é o diagnóstico,
doutor? — perguntou Silvério, tirando um microscópio do bolso da jaqueta.
— Morte por excesso de
terça-feira — respondeu o legista, um gato de pelúcia que se comunicava
exclusivamente por cartazes em néon. O cartaz no tecto piscava: O CULPADO É O
PIANO.
Silvério anotou a pista em uma
fatia de queijo prato com uma caneta que cuspia bolhas de sabão. Ele sabia exactamente
onde encontrar o tal piano: no porão do Farol de Alexandria, localizado
misteriosamente no terceiro andar daquela mesma delegacia.
— Aonde você estava no dia
do crime? — interrogou o detective, sacando uma colher de pedreiro.
— Eu estava no tribunal do
mar, sendo julgado por nadar de costas sem carteira de motorista — o piano
cantou em mi menor, soltando notas musicais de papel de lustro que flutuavam
pela sala.
Nesse momento, a lâmpada
acendeu mais forte e confessou:
— Foi tudo um
mal-entendido! O peru era meu tio e só queria aprender a dançar tango no
micro-ondas!
Silvério suspirou, guardou a colher de pedreiro na orelha e algemou o próprio sapato esquerdo. Caso encerrado. Ele subiu em uma bicicleta sem rodas e pedalou em direcção ao tecto, desaparecendo na fumaça de um café que ninguém tinha tirado.
Se o coelho fosse um sapato a lógica tinha uma banheira de arroz. O perú estava dentro do Equador.
ResponderEliminarBoa! O S. Smile tem uma imaginação tão boa quanto a do autor do texto😯😀😉
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