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sexta-feira, 24 de julho de 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
O Flagrante na
Calada da Noite
A lua cheia iluminava a escuridão completa daquela
noite sem estrelas. O Cabo Silva e o Sargento Rocha estavão à espreita há duas
horas, esperando o momento exacto para agir. O alvo era Carlão, vulgo
"Dedos Leves", um perigoso ladrão de jóias que vinha aterrorizando o
pacato bairro do Jardim das Flores.
De repente, a silhueta de Carlão arrombou a janela dos
fundos da mansão número 42. Sem pensar duas vezes, os policiais invadiram a
casa pela porta da frente, fazendo o menor barulho possível enquanto gritavam:
— Parado ! Polícia ! Você está preso em flagrante delito!
Carlão tomou um susto tão grande que largou o colar de
diamantes que já estava escondido dentro da sua mochila fechada. Ele correu em
direcção aos fundos, mas o Cabo Silva, demonstrando uma agilidade sem
precedentes, sacou suas algemas e as prendeu nos tornozelos do bandido,
derrubando-o imediatamente no chão.
O Sargento Rocha aproximou-se, apontando sua lanterna
desligada para o rosto do meliante. — Acabou a farsa, Carlão. Menos mal que apanhámos
você antes mesmo de cometer o crime.
Os policiais levaram o suspeito para a esquadra na
viatura com a sirene desligada, embora o som estridente ecoasse por toda a
avenida principal, acordando a vizinhança. Carlão passaria longos anos atrás
das grades pelo roubo daquela noite, mesmo sendo um réu primário de bons
antecedentes que apenas levou uma advertência do juiz no dia seguinte.
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Erros: O que está errado no texto ?
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quarta-feira, 22 de julho de 2026
terça-feira, 21 de julho de 2026
segunda-feira, 20 de julho de 2026
MAIL PARTILHADO
" Segundo o Dr. Raul Machado, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa, o termo Policiário, como adjectivo, saiu a primeira vez da mão de FERNANDO PESSOA, em carta dirigida a ADOLFO CASAIS MONTEIRO, no dia 13 DE JANEIRO DE 1935.
Filologia
POLICIAL
OU POLICIÁRIO?
por DR. RAUL MACHADO
Presidente
da Sociedade de Língua Portuguesa
O
adjectivo policial só
aparece registado a primeira vez na 2.ª edição do dicionário de Morais (a 1.ª,
de 1813, não inclui o termo); encontra-se ele depois em todas as edições até à
9.ª (a 10.ª ainda não chegou a essa palavra, nem sequer à letra P)
Não
custa nada afirmar que todos os dicionários e vocabulários, de maior ou menor
categoria — foram manuseados para este fim doze léxicos diferentes, além dos
referidos acima — todos, sem excepção, arquivam o vocábulo policial
É,
pois, lícito inferir que, pela consulta dos registos vocabulares existentes no
país, o adjectivo policiário
é um neologismo de criação recente, ainda não incluído nos léxicos nacionais
Quem
terá criado esse neologismo?
Parece
que o termo policiário,
como adjectivo, saiu a primeira vez da mão de Fernando Pessoa, em carta
dirigida a Adolfo Casais Monteiro, no dia 13 de Janeiro de 1935, e publicada na
«Antologia de Autores Portugueses e Estrangeiros» - Poesia - Fernando Pessoa -
Segundo Volume, pág. 10, onde se lê a seguinte expressão: «novela policiária»
Criado,
esse adjectivo novo tem proliferado largamente em múltiplas expressões, como
«problema policiário», «coisa policiária», «família policiária», «colecção
policiária»
As expressões e frases agora citadas, com o termo policiário, adjetivo e substantivo, respigaram-se na Separata n.º 4 (Vol. 30) da Coleção XIS
Nesta mesma separata se observa que, a propósito de uma festa do semanário Cartaz, alguém usou, ao microfone e na representação, «dezenas de vezes o termo policial, e nem uma só o policiário»
Em outro local, na «História do Conto Policial» de Vítor Palla, empregando-se com largueza a palavra policial, acrescenta-se «policiárias, dizia Fernando Pessoa»
O aparecimento do vocábulo na carta do poeta da Mensagem para Casais Monteiro, a paternidade do termo atribuída a Fernando Pessoa, o uso recente e abundante da palavra, dão-nos a convicção de que antes de 1935 não havia penetrado no léxico em Portugal o adjetivo policiário
Perguntar-se-á agora se o termo policiário, adjetivo e substantivo, fazia ou faz falta na língua portuguesa, onde vive, há mais de cem anos, a palavra policial
Notemos, antes de mais nada, o facto palpável da existência atual de um género novo de literatura de ficção em que abundam os temas de caráter policial
Tais crimes fictícios, praticados e expostos para matar ócios e para aguçar a perspicácia policial dos leitores, existem apenas como imitação e elaboração romanceada de casos que poderiam, infelizmente, ter acontecido, mas, felizmente, só acontecem na fantasia
Parece-me, por isso, que à existência recente deste género literário, ou desta tendência da literatura de ficção, em livros, jornais e revistas, lhe quadra bem o adjetivo policiário, recém-criado
Quanto ao substantivo... Julgo que este deveria empregar-se não sob a forma substantivada do adjetivo masculino (o policiário), mas sob a forma do feminino, a policiária; e englobaria a (matéria) policiária, a (técnica) policiária, a (questão) policiária, a (literatura) policiária, etc
Seja, porém, como for, eu por mim inclino-me para o adjectivo biforme, policiário — a, e para o substantivo, a policiária
sábado, 18 de julho de 2026
Destaque deste mês para a Solução ao Problema Curto - 08
OS GÉMEOS
* * * * *
O primeiro reparo foi
verificar que os jovens com quem a rapariga se divertiu eram gémeos de raça
negra, mas esse facto não servia para deslindar o caso, ou seja,
identificar o assassino porque apesar de serem de raça negra, o seu ADN, por
serem gémeos, não se diferencia! A saliva encontrada na garrafa, aquela que
parecia ser a prova irrefutável, não servia para identificar o assassino!
Esta é uma questão muito interessante e desafiadora na área da genética forense!
Quando os suspeitos são gémeos idênticos
(monozigóticos: (Biologia) - Que provém do mesmo ovo ou óvulo), o ADN nuclear
tradicional — que normalmente é usado para identificar pessoas — é praticamente
idêntico entre eles, já que derivam do mesmo zigoto.
Isso significa que os testes de ADN convencionais não conseguem diferenciar um
do outro.
No entanto, há algumas abordagens que podem ajudar a distinguir entre gémeos idênticos:
1. Análise de mutações somáticas: Ao longo da vida, pequenas mutações vão acontecendo nas células de cada pessoa. Em gémeos idênticos, essas mutações podem ser ligeiramente diferentes, criando variações no ADN que podem ser detetadas através de técnicas muito sensíveis, como o sequenciamento profundo (deep sequencing).
O sequenciamento profundo (ou
deep sequencing) é uma técnica de análise genética de alta resolução que lê os
fragmentos de DNA ou RNA de uma amostra centenas ou milhares de vezes. Esta
repetição (profundidade de cobertura) garante uma precisão extrema, permitindo
detetar mutações raras ou células tumorais isoladas que passariam despercebidas
em métodos tradicionais. É frequentemente utilizado na área clínica e de
investigação através de plataformas de Sequenciação de Nova Geração (NGS).
2. Metilação do ADN e epigenética: Algumas diferenças epigenéticas, como padrões de metilação do ADN, podem variar entre gémeos e, potencialmente, ajudar na diferenciação.
3. Análise do ADN mitocondrial ou outros marcadores genéticos menos convencionais: Embora o ADN mitocondrial seja herdado da mãe e seja igual nos gémeos, em alguns casos pode haver pequenas variações.
4. Outras evidências forenses complementares: Além do ADN, pode-se considerar impressões digitais, imagens de vídeo, testemunhos, entre outros elementos para ajudar na identificação correta.
Portanto, apesar da enorme semelhança genética entre gémeos idênticos, avanços tecnológicos permitem, em alguns casos, encontrar distinções genéticas suficientes para identificar o indivíduo específico.
Humanos, gémeos de raça negra têm ADN diferente que se possam diferenciar?
Depende exclusivamente
do tipo de gestação.
Geneticamente,
a raça ou etnia não altera o código genético base ou a forma como os gémeos são
formados. O fator decisivo é se são gémeos
idênticos (univitelinos) ou falsos (bivitelinos):
• Gémeos idênticos (Univitelinos):
O ADN é virtualmente idêntico. Não podem ser diferenciados por testes de ADN
convencionais.
• Gémeos falsos
(Bivitelinos): O ADN é diferente. Formam-se a partir de dois óvulos e dois
espermatozoides diferentes, sendo geneticamente como irmãos normais que
partilham cerca de 50% do ADN.
Após estas deduções, o “Arco-Íris”, descortinou, também, que os gémeos, negros, um era destro e o outro canhoto, porque pegavam nos copos de cerveja, com mãos diferentes!
Mas tal pormenor igualmente não serviria para resolver
o imbróglio do caso porque em termos gerais, o ADN nuclear de gémeos idênticos
(monozigóticos: (Biologia) -
Que provém do mesmo ovo ou óvulo) é praticamente igual independentemente de
um ser canhoto e o outro direito. Isso porque eles derivam do mesmo óvulo
fertilizado e, portanto, possuem a mesma sequência genética.
No entanto, a lateralidade (ser canhoto ou destro) não
depende apenas do ADN em si, mas também de fatores epigenéticos e ambientais
durante o desenvolvimento no útero e após o nascimento. Esses fatores podem
influenciar como certos genes são expressos e podem levar a diferenças na
função cerebral que determinam a preferência manual.
Ou seja:
- Sequência de ADN: Igual nos gémeos idênticos,
independente da lateralidade.
- Expressão gênica e epigenética: Pode variar e
contribuir para diferenças como um ser canhoto e o outro destro.
Portanto, o facto de um gémeo ser
canhoto e o outro destro não significa que o ADN deles seja diferente; as diferenças
emergem principalmente da regulação genética e de influências não genéticas.
Ora, o caso continuava
por resolver… mesmo que existissem testemunhas a afirmar que viram a rapariga
na areia a confraternizar com um dos gémeos, mas… qual deles?
Provar que o ADN pertence especificamente a um dos gémeos idênticos sem engano é realmente um desafio, pois o ADN nuclear deles é praticamente igual. No entanto, existem algumas abordagens avançadas que podem ajudar a distinguir entre os gémeos:
1. Análise de mutações somáticas: Ao longo da vida, pequenas mutações ocorrem no ADN de cada pessoa. Mesmo gémeos idênticos podem desenvolver diferenças genéticas mínimas em algumas células. Técnicas muito sensíveis de sequenciação do ADN podem detetar essas mutações exclusivas num dos gémeos.
2. Epigenética: Embora o ADN seja igual, a forma como ele é "marcado" (metilação do ADN, por exemplo) pode ser diferente entre gémeos. Estas diferenças epigenéticas podem ser usadas para diferenciar os indivíduos.
3. ADN mitocondrial (ADNmt): O ADN mitocondrial é passado apenas pela mãe e costuma ser igual entre gémeos, portanto, normalmente não ajuda na diferenciação.
4. Outras evidências forenses complementares: Testemunhos, imagens de vídeo, impressões digitais (que são diferentes mesmo em gémeos), análises de saliva ou outros fluidos em locais específicos, etc.
5. Análise de RNA ou proteomas: Em investigação científica, às vezes se estudam diferenças na expressão gênica ou perfil proteico, que pode variar com base em fatores ambientais, mas isso ainda não é rotineiramente usado para provas legais.
Resumindo: Para provar com certeza que o ADN é de um dos gémeos, normalmente recorre-se a técnicas muito sofisticadas de sequenciamento e análise genética que detetem pequenas diferenças adquiridas após a divisão do zigoto. Além disso, qualquer prova forense deve ser complementada com outras evidências para garantir a identificação correta.
…De repente, quando o
deslindar do caso parecia complicado… o “Arco-Íris” que escrevia… escrevia…
raciocinava… em base dos seus vastos conhecimentos… abriu-se-lhe uma “luzinha”
no cérebro… que fez com que ele pensasse para si mesmo: “Mas… o que estou eu
a dizer!? Ora, bolas… é mesmo isto…!! E já sublinhei sem pensar naquilo… a
sério!! São as impressões digitais deixadas na
garrafa! A história inclina-nos para a saliva do agressor deixada na
garrafa assassina, mas SÃO AS SUAS IMPRESSÕES DIGITAIS QUE O INCRIMINAM! E SERÃO
ATRAVÉS DELAS… QUE SE DESCOBRE O ASSASSINO! POIS… AS
IMPRESSÕES DIGITAIS, MESMO DE GÉMEOS, SÃO DIFERENTES!! QUE COISA…”
Portanto, o caso
não seria insolúvel!
Na verdade, mesmo gémeos idênticos não têm impressões digitais iguais. As impressões digitais são formadas durante o desenvolvimento fetal e são influenciadas tanto por fatores genéticos quanto por pequenas variações ambientais no útero, tornando cada impressão digital única — até entre gémeos idênticos.
Portanto, se
houver impressões digitais numa cena de crime, normalmente é possível
distinguir a quem pertencem, mesmo que os suspeitos sejam gémeos idênticos.
Resumindo:
- Gémeos
idênticos têm ADN nuclear praticamente igual, mas…
- Impressões
digitais diferentes e exclusivas para cada indivíduo.
Assim, as impressões digitais podem ser usadas como
prova para identificar qual dos gémeos esteve presente num local.
E após estas deduções… seria identificado o criminoso através das suas impressões digitais deixadas na garrafa assassina! Estavam na praia, com calor… não há a possibilidade de o assassino ter utilizado luvas! Seria facilmente identificado, apesar de ser gémeo!
E, de repente, parece que já não havia calor neste infernal 4 de julho!
SAUDAÇÕES Policiárias.
Arco-Íris