( aqui no blogue mensalmente no 1.º Sábado de cada mês )
Também será publicada a solução que mais se destacou neste Problema .
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( aqui no blogue ... ocasionalmente )
O Golpe do Silêncio
A chuva batia forte contra os vidros partidos da antiga Fábrica de Tecidos Aliança. Lá dentro, o ambiente cheirava a mofo, ferro velho e... adrenalina.
Tomás "Dedos Leves" ajustou a
lanterna. À sua frente estava o cofre mecânico de 1950, o "Santo
Graal" daquela noite. Não havia alarmes digitais, apenas engrenagens
puras. Com um estetoscópio encostado ao metal frio, ele girava o dial. Clique.
Um sorriso desenhou-se-lhe no rosto. Clique. A pesada porta de ferro
cedeu com um rangido. Lá dentro, um estojo de veludo guardava o colar de
diamantes da dinastia imperial.
"Fácil
demais", sussurrou Tomás para si mesmo, guardando a joia no casaco.
"Eu não diria fácil, Tomás. Diria que tiveste uma ajuda da casa."
A voz ecoou do
topo das escadas de ferro. Tomás congelou. Uma silhueta alta e robusta
recortou-se contra a pouca luz da lua que filtrava pelo tecto partido. Era o Inspector Jorge Silva, o homem que o
perseguia há três anos. E, para azar de Tomás, Jorge não trazia apenas um
distintivo; trazia uma pistola Glock apontada na sua direcção.
"Inspector...
a trabalhar até tarde? O banco não lhe paga horas extras", tentou brincar
Tomás, enquanto os seus olhos procuravam desesperadamente uma rota de fuga.
"Para ti,
Tomás, eu trabalho de borla", respondeu Jorge, descendo as escadas
devagar, os passos firmes ecoando no betão. "Podes pousar o estojo no
chão. Devagarinho."
Tomás ergueu as mãos, mas manteve o corpo relaxado. O segredo de um bom ladrão não era apenas a agilidade das mãos, era a rapidez do cérebro.
"Sabe,
Inspector... se me prender hoje, a sua carreira atinge o topo. Mas amanhã?
Amanhã volta a preencher relatórios cinzentos num escritório escuro. O que
seria do herói sem o vilão?"
Jorge hesitou
por um milésimo de segundo, o canto da boca a tremer num quase sorriso.
"Eu arrisco o tédio, Tomás."
Tomás saltou
para trás da carcaça de uma máquina de tecelagem. Jorge recuperou a postura
imediatamente, avançando com passos tácticos.
"Estás
encurralado, Tomás! A saída das traseiras está trancada!"
"Eu
sei!", gritou Tomás, a sua voz parecendo vir da esquerda.
Jorge apontou a
arma para a esquerda, mas foi surpreendido por um estrondo vindo da direita.
Tomás tinha empurrado um armário de ferro, que caiu barulhento, levantando
uma nuvem de pó densa. Quando a poeira assentou, dez segundos depois, o
silêncio voltou a reinar na fábrica.
Jorge correu para a janela que dava para o beco. Olhou para baixo e viu apenas o reflexo da chuva nas poças de água. Tomás tinha desaparecido nas sombras da noite.
O inspector
guardou a arma, respirou fundo e limpou o pó do casaco. Estava furioso, mas, no
fundo, sentiu uma estranha palpitação de entusiasmo. Passou a mão pelo bolso
para tirar o telemóvel e chamar reforços, mas os seus dedos encontraram algo
diferente.
Um pedaço de
papel dobrado. Jorge abriu-o.
“Obrigado pelo
desafio, Inspector. Deixo-lhe isto para não voltar para o escritório de mãos
vazias.”
Anexa ao papel,
com uma fita adesiva, estava a chave de um cacifo da estação de comboios, onde
Tomás tinha escondido o saque do seu golpe anterior.
Jorge olhou
para a noite chuvosa e sorriu de lado. A caça continuava.
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O
BLOGUE DO RO
O silêncio na redacção
improvisada era quebrado apenas pelo estalar frenético das teclas. À frente do
monitor, o criador do Blogue do RO
revisava os números do painel de controlo. O gráfico de acessos parecia uma
montanha-russa em direção ao céu.
Há meses que o blogue se
tinha tornado um fenómeno viral. Ninguém ainda sabia quem estava por trás da
sigla "RO", mas as suas extraordinárias análises policiárias,
previsões de confrontos na sueca com algumas vitórias certeiras e revelações de
bastidores com selfies encantadas , entre tropeções , eram já tão constantes
que chegavam a abalar os seguidores. Todos visitavam o Blogue em quase ”pânico”;
muitos dos policiaristas veteranos e não só, tentavam sem sucesso, rastear o IP
da página do Blogue.
Mas naquela noite, o autor
preparava-se para lançar o artigo definitivo: “O Fim do Segredo”.
Prometia revelar a identidade da mente brilhante por trás do Blogue do RO.
Às 23h59, com o coração aos
pulos e o café já frio naquela caneca personalizada, ele clicou em Publicar.
A alguns quilómetros dali, precisamente
no Algarve, numa carrinha preta sem identificação, uma equipa de cibersegurança
fretada por policiaristas convictos , celebrava. Graças a um algoritmo de web
scraping de última geração, tinham finalmente conseguido interceptar o
sinal no exacto segundo em que o post fora enviado. Perseguido há muito , o
sinal era finalmente identificado … !
O agente coordenador
aproximou-se, de olhos fixos no monitor, ansioso por ver a fotografia do homem
que tinha colocado o policiarismo em sobressalto. O sistema quebrou a última
barreira de encriptação da residência e acedeu à câmara de segurança da divisão
onde o blogue era gerido.
O ecrã piscou e a imagem
focou-se.
Não havia nenhuma mente
brilhante. Não havia nenhum policiarista dissidente, nem um ex-policiarista. Numa das divisões da casa, estava um
protótipo moderno de inteligência artificial, instalado num computador
sem ligação directa à internet exterior, a não ser por uma dedicada linha
telefónica. A teclar estava um pequeno robô de última geração — conhecido pelo
seu número de série R-0 — que batia
suavemente nas teclas , gerando a
programação dos textos.
A IA detectou a intrusão na
câmara, gerou uma última linha de texto no Blogue antes de se auto-eliminar
para sempre:
"Obrigado por
lerem. O humano que me programou esqueceu-se de me desligar antes de se mudar
para a Margem Sul do Tejo. E já lá vão alguns bons anos . Assim , tive de
encontrar algo para fazer, até que ele me leve para o Feijó" !
Destaque deste mês para a Solução ao Problema Curto - 07
UM CRIME COM HORAS CERTAS
* * * * *
Relatório de: O Pegadas
O relógio, derrubado, parou exactamente às 22h15 – “o disco interior moveu-se juntamente com os ponteiros”, ou seja, não há desfasamento entre o mecanismo e o mostrador: 22h15 foi, de facto, o momento da morte.
O corpo foi descoberto às 23h15.
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O Sobrinho demonstra ter conhecimento do que aconteceu antes de essa informação existir, segundo a ordem temporal dos acontecimentos. A sua "viagem à rua para ver o apagão" é, muito provavelmente, uma versão feita para se ausentar do seu álibi (a cave) durante o tempo necessário, quando na realidade se deslocou à biblioteca por volta das 22h15 — exactamente a hora marcada pelo relógio caído, depois, atingiu o tio na nuca, e regressou depois, tentando reconstituir alterando, os factos. Portanto, o assassino é o Sobrinho, e a justificação assenta na incompatibilidade horária entre o momento em que ele afirma ter sido informado do crime (23h00) e o momento em que o crime foi efetivamente descoberto pelo Mordomo (23h15) ⇒ uma diferença de 15 minutos. |
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OUTRAS PERSPECTIVAS PASSÍVEIS DE ANÁLISE FORENSE
O DEPOIMENTO DO MORDOMO
Por outro lado, se a morte tivesse sido mesmo às 22h15, a vela só teria ardido cerca de 30 minutos desde o início do corte da luz e desta forma, não faria sentido estar “quase toda consumida”. Isso indicaria que Baltazar morreu bem mais tarde, perto da hora em que o mordomo diz ter ido lá… e que o relógio foi manipulado para marcar 22h15.
Braga, Junho de 2026
O Pegadas
SOLUÇÃO :
... O assassino foi o Sobrinho ...
O Sobrinho mentiu nas suas declarações.
Ele disse que ficou no porão à espera da luz voltar quando o projector parou.
Se ele estivesse no porão (um lugar sem janelas) em um apagão total, ele não
saberia se a luz voltou ou não no resto da casa após 1 hora, a menos que
tivesse deixado o interruptor ligado — mas ele disse que "desistiu e subiu
, tateando, "antes da luz voltar , às 23h00.
Atente-se
que o crime teria acontecido às 22h15
( confirmado pelo relógio mecânico que parou ao tombar ) e o apagão começou às 21h45.
O
sobrinho afirmou que, quando a energia faltou, ele ficou sentado no porão, no
escuro total, " à espera da luz
voltar por cerca de uma hora".
Se
ele estava num porão ( geralmente um local sem janelas ) durante um apagão
total naquela zona, o ambiente estaria em escuridão absoluta. Num caso desta natureza , ninguém ficaria
sentado no escuro total por cerca de 60 minutos ( 1 hora como afirmou ) à
espera da luz voltar , sem tentar sequer ir buscar uma vela, um telemóvel ou mesmo
sair do local de imediato , para saber o que se estava passar .
Ele
disse que após a espera de cerca de 1 hora "desistiu e subiu" por
volta das 22h45h imaginariamente. Se a luz só voltou às 23h00, como ele sabia
que já tinha passado "uma hora" quando saiu do porão e subiu ? No
escuro absoluto do porão, sem energia para o projector e sem mencionar sequer ter
consultado um relógio de pulso iluminado ou telemóvel ( como a governanta fez ),
ele perderia claramente a noção do tempo.
Provavelmente
o Sobrinho queria usar o escuro como esconderijo, mas esqueceu-se que, para o
álibi dele ser “real”, ele teria que ter tido uma paciência fenomenal , fora do
normal mesmo, para ser verdade o que ele disse.
Assim
sendo, o que poderia ter acontecido seria que ele matou o tio ás 22h15 ,
durante a falha da luz, disso não “restam dúvidas” e saiu de casa provavelmente,
a coberto da escuridão , esperando a reposição da luz para poder voltar a casa
novamente.
Inventou
depois a cena da espera no porão … para dar continuidade ao final do ocorrido,
querendo deixar claro que saiu do porão pelas 22h45 , logo já depois da morte
do tio que ele sabia ter sido ás 22h15 …!
Ao dizer que
ficou no porão durante cerca de uma
hora inteira (das 21h45 às 22h45), o sobrinho está a tentar criar uma
"margem temporal" para se proteger.
Ele sabe que o
crime aconteceu por volta das 22h15, logo todo o seu esquema é na
intencionalidade de o afastar da cena do crime nesse preciso horário.
Ao estender o
seu suposto isolamento no porão até às 22h45, ele garante que a hora do crime
(22h15) fica mesmo no meio do período em que ele alega que estava
"preso" e sem se "conseguir mover" no escuro.
Desta forma, se
as perícias determinarem que a morte foi mesmo às 22h15, ele pode simplesmente
dizer: "Impossível ter sido eu, às 22h15 eu ainda estava sentado no
escuro do porão, frustrado com o meu projector, e só saí de lá 15 minutos antes
de a luz reaparecer..."
Agora , ficar “exactamente” uma hora inteira sentado no escuro, por tempo prolongado , sem fazer nada, à espera que a luz que não sabe quando volta, ou o que é que aconteceu mesmo, é um comportamento muito estranho e demasiado suspeito . Simplesmente ele calculou essa "uma hora" mentalmente para cobrir a hora do crime com uma margem de segurança, que ele sabia ser-lhe útil “ para o seu alibi !
2.Convém reter ainda : o mordomo não tinha como prever que o relógio iria cair e marcar as 22h15. Se ele estivesse a planear um crime, não faria sentido inventar uma história onde se coloca preso na cozinha durante todo o período do apagão, sem testemunhas. O seu depoimento é simples e directo porque ele estava, de facto, ocupado com uma tarefa analógica (o fogão a gás) que não dependia da electricidade.
Quero começar por agradecer a todos aqueles que de uma forma ou outra se manifestaram preocupados com o meu estado de saúde , que teve momentos bastante preocupantes diga-se , mas encontro-me eu já neste momento em convalescença e, o pior parece já ter ido ! OBRIGADO .
Como nem sempre conseguimos
controlar o rumo das coisas … essa a razão que por motivos de força maior , tive
obrigatoriamente de me afastar do Blogue , e não só, durante algum tempo.
( aqui no blogue mensalmente ás 4ª. feiras )
REENCONTRO
O
dia nascera cinzento, estranho, um dia sem interpretação, mas fora o dia em que
saíra do hospital. Apanhou o autocarro para o bairro onde habitava, e procurava
a casa, onde apesar de ter as rendas todas pagas, a senhoria lhe movera uma acção
de despejo, por não gostar do seu sorriso, dizia ela. Ao apear-se, viu a
vizinha que era simpática com ele e o tratava bem, com amizade. Ela ia
distraída, mas ao ouvir passos, levantou a cabeça e disse-lhe: ‒ Bons olhos o
vejam. Pronto para outra?
‒ Oxalá que não, pelo menos sem primeiro recuperar
bem desta, que me pôs entre a vida e a morte. ‒ É, pensei que o não voltasse a
ver com vida, a medicina atual faz milagres. ‒ Estava todo partido.
Praticamente sem conserto, mas continuo para grande infelicidade geral, a
incomodar a humanidade.
‒ Vem até minha casa grande “coirão” ‒ disse-lhe a
amiga. Tu não sabes, mas comprei um casal, ‒ continuou ela ‒ casa armazém e
palheiros tudo remodelado.
A parte cultivável toda amanhada, é um mimo, é um
gosto. Desratização efectuada. ‒ Muito me apraz ouvir-te Maria. Regozijo-me com
a tua felicidade. E é perto o teu casal? ‒ Mesmo indo a pé, é um instante, não
desperdices o teu rico dinheirinho num hotel, vem passar uns dias comigo, e
podes-me ajudar na lavoura e a recolher a colheita. ‒ E tens café? Não te
recordas?
Da mesma maneira que um tractor não funciona sem gasóleo, eu não
funciono sem café, esse bravo estimulante para o trabalho! ‒ Tenho um lote de
café com uma aroma, que mesmo aspirada ao de leve, é capaz de ressuscitar
qualquer defunto recém enterrado. ‒ Só acredito provando! E foram os dois a pé
pela vereda fora, depois pela serventia de terra batida de acesso ao olival, à
vinha e depois à casa.
Detective Balld Dkall
Quer ver o seu conto aqui publicado ? Envie-o para viroli@sapo.pt ! Desde já aqui fica o agradecimento por ter reservado algum do seu tempo para manter aqui a HORA do CONTO ... !
O
número de sinais que os assaltantes utilizam para saber quando assaltar está a
aumentar. Actualmente, nova simbologia é utilizada para saber qual a melhor
altura para arrombar uma casa. Os ladrões têm técnicas para descobrir se uma
casa está habitada ou não, dessa forma, é aconselhável que peça a um familiar
ou vizinho de confiança que entre em sua casa e a inspecione para desviar a
atenção dos ladrões.
Aqui
fica os sinais mais comuns utilizados pelos assaltantes para comunicarem:
Contudo, é preciso ter em
conta que os assaltantes não vão deixar estes sinais com tamanho grande e
bastante visíveis, antes pelo contrário. Deve procurar fazer uma ronda por
sinais como os indicados com alguma frequência e com principal atenção para os
cantos, campainhas, vasos de flores ou locais de difícil acesso.