segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

( aqui no blogue ... ocasionalmente )

O relógio de parede da sala de interrogatório marcava 04:15 da manhã, mas o relógio de pulso do Inspector Alfama marcava 22:30. Na mesa, haviam três pistas: um bilhete de lotaria premiado de 1998, um sapato de palhaço tamanho 44 ensanguentado e uma chávena de café que fumegava, apesar de estar vazia.

Do outro lado da mesa, o suspeito, um homem vestido com um fato impecável e uma máscara de mergulho, sorria.

— Eu já disse, Inspector — falou o homem, sua voz abafada pelo plástico. — O crime só vai acontecer amanhã. O corpo que vocês encontraram no cofre do banco era meu, mas eu ainda estou bem vivo, como pode ver.

Alfama massageou as têmporas. A vítima, o bilionário Artur Salgado, tinha sido encontrada morta dentro de um cofre trancado por dentro. A causa da morte ? Afogamento em água salgada, no meio do concreto da Avenida Jorge Peixinho. O homem mascarado na sua frente tinha as digitais de Vilarinho, a voz de Vilarinho, mas os exames de DNA diziam que ele era... o próprio Inspector Alfama.

O telefone na parede tocou. Alfama atendeu. Era a sua própria voz do outro lado da linha, gritando: "Não olhe para o espelho! Ele mudou o passado!"

Alfama desligou e olhou para o suspeito, que agora segurava o bilhete de lotaria. — O tempo é uma linha recta, Inspector? Ou um círculo que se esqueceram de fechar ? Você tem três caminhos agora. Escolha rápido, porque o café está prestes a sumir.

Como , cada um de vocês, terminaria esta investigação?

  • Final A: A Linha do Tempo Quebrada. Você decide prender o suspeito. Ao algemá-lo, as algemas se fecham nos seus próprios pulsos. O suspeito desaparece e você percebe que a sala de interrogatório agora é o cofre do banco, que começa a encher rapidamente de água salgada. Você era a vítima o tempo todo.
  • Final B: O Paradoxo do Espelho. Você ignora o aviso do telefone e olha para o espelho espião da sala. O seu reflexo está de costas, conversando com o verdadeiro Artur Salgado. Você percebe que é mesmo um clone criado para assumir a culpa, e o homem de máscara de mergulho é apenas um holograma projectado pela sua própria mente culpada.
  • Final C: A Pista Absurda. Você ignora o homem e decide calçar o sapato de palhaço ensanguentado. No instante em que o faz, o cenário muda: você está no picadeiro de um circo completamente esgotado. O público aplaude. O bilionário Artur Salgado está vivo na primeira fila, rindo, e você percebe que todo o caso de assassinato foi apenas o maior e mais elaborado show de ilusionismo do século.

Qual o destino que você escolheria para o Inspector Alfama ?


sábado, 25 de julho de 2026

 EXISTIRÃO CRIMES PERFEITOS ... ?!



A ideia de que não existe um crime perfeito resume-se a uma combinação de ciência forense, psicologia humana e pura probabilidade.

Embora muitos crimes fiquem sem solução (o que leva a pensar se não seriam "perfeitos"), do ponto de vista prático e teórico, a perfeição é praticamente impossível pelos seguintes motivos:

1. O Princípio da Troca de Locard

Na criminologia, existe um axioma fundamental formulado pelo cientista forense Edmond Locard:

"Todo o contacto deixa um rasto."

Sempre que alguém entra num local e comete um acto, traz algo e leva algo consigo. Podem ser vestígios óbvios (como impressões digitais ou ADN) ou microscópicos (microfibras de roupa, poeira, pólen, pelos de animais ou partículas químicas). Com a evolução da ciência forense, rastos que antes eram invisíveis tornaram-se provas decisivas.

2. A Imprevisibilidade do Factor Humano

Para um crime ser "perfeito", o criminoso precisaria de controlar todas as variáveis do universo no momento da execução, o que é impossível:

  • O stresse e o pânico: O estado de adrenalina altera o julgamento e leva a erros involuntários.
  • Factores externos: Um testemunha inesperada, um cão a ladrar, uma falha mecânica, uma mudança no tempo ou um atraso imprevisto.

3. O Rasto Digital e a Evolução Tecnológica

Hoje em dia, a maioria dos crimes falha devido ao rasto digital. Vivemos num mundo hiperconectado:

  • Telemóveis (dados de localização GPS e torres de telecomunicações).
  • Câmaras de vigilância (públicas e privadas).
  • Histórico de pesquisas na internet e transações financeiras.

Além disso, um crime que parece "perfeito" hoje pode ser resolvido daqui a 10 ou 20 anos. O avanço da tecnologia — como a genealogia genética forense — permite resolver cold cases que no passado pareciam impossíveis.

4. O Factor Psicológico e o Tempo

O tempo é inimigo da impunidade. O comportamento humano após o crime costuma ser o elo mais fraco:

  • O peso da culpa ou o ego: Muitos criminosos acabam por confessar, directa ou indirectamente (gabando-se do acto a terceiros).
  • Conflito entre cúmplices: Se houver mais do que uma pessoa envolvida, a probabilidade de uma delas falar com as autoridades (por remorso, medo ou para obter um acordo) aumenta exponencialmente.

O Paradoxo do Viés de Confirmação

Existe, contudo, um detalhe fascinante: só sabemos da existência dos crimes que falharam ou que foram descobertos.

Se um crime fosse verdadeiramente "perfeito", ninguém saberia sequer que um crime tinha acontecido (pareceria uma morte natural, um acidente ou um desaparecimento voluntário). Por isso, do ponto de vista lógico, nunca saberemos se existiram crimes perfeitos.


 

 

( aqui no blogue mensalmente aos Sábados )



Publicação n.º 8 : edição de Agosto/Setembro 1968

sexta-feira, 24 de julho de 2026

 ÚLTIMO DIA PARA PARTICIPAR

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 DE  REGRESSO  AO  PASSADO - OUTRAS
( aqui no blogue quinzenalmente às 6ª.s feiras )

designação da SECÇÃO POLICIÁRIA outras : 




.......... Revista completa e digitalizada do original




MA ESP n.º 7 de Maio 1976

quinta-feira, 23 de julho de 2026

 

( aqui no blogue ... ocasionalmente )

O Flagrante na Calada da Noite

A lua cheia iluminava a escuridão completa daquela noite sem estrelas. O Cabo Silva e o Sargento Rocha estavão à espreita há duas horas, esperando o momento exacto para agir. O alvo era Carlão, vulgo "Dedos Leves", um perigoso ladrão de jóias que vinha aterrorizando o pacato bairro do Jardim das Flores.

De repente, a silhueta de Carlão arrombou a janela dos fundos da mansão número 42. Sem pensar duas vezes, os policiais invadiram a casa pela porta da frente, fazendo o menor barulho possível enquanto gritavam: — Parado ! Polícia ! Você está preso em flagrante delito!

Carlão tomou um susto tão grande que largou o colar de diamantes que já estava escondido dentro da sua mochila fechada. Ele correu em direcção aos fundos, mas o Cabo Silva, demonstrando uma agilidade sem precedentes, sacou suas algemas e as prendeu nos tornozelos do bandido, derrubando-o imediatamente no chão.

O Sargento Rocha aproximou-se, apontando sua lanterna desligada para o rosto do meliante. — Acabou a farsa, Carlão. Menos mal que apanhámos  você antes mesmo de cometer o crime.

Os policiais levaram o suspeito para a esquadra na viatura com a sirene desligada, embora o som estridente ecoasse por toda a avenida principal, acordando a vizinhança. Carlão passaria longos anos atrás das grades pelo roubo daquela noite, mesmo sendo um réu primário de bons antecedentes que apenas levou uma advertência do juiz no dia seguinte.

Encontre os Erros: O que está errado no texto ?

Poderá  dar a sua opinião aqui nos comentários .

A solução será  publicada aqui no blogue, de hoje a oito dias ( dia 30 ) !


BANDA DESENHADA
( para download )

Policial N.º 16 - ANO I - 32 páginas

( aqui no blogue quinzenalmente às 5ªs. feiras )

JAIME BRAVO em

" UM CASO DE ESPIONAGEM "



quarta-feira, 22 de julho de 2026

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( aqui no blogue quinzenalmente às 4ªs. feiras )

Edição 06 de 06 Janeiro 1977

JAMES BOND , O FAMOSO 007 ...
... E A SUA ARMA PREDILECTA


terça-feira, 21 de julho de 2026

DESCUBRA OS 5 ERROS NA IMAGEM


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 DE  REGRESSO  AO  PASSADO
( aqui no blogue todas as 3ª.s feiras )

designação da SECÇÃO POLICIÁRIA : 


Revista completa e digitalizada do original .



N.º 118 de 1 de Janeiro 1976

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 MAIL PARTILHADO

" Segundo o Dr. Raul Machado, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa, o termo Policiário, como adjectivo, saiu a primeira vez da mão de FERNANDO PESSOA, em carta dirigida a ADOLFO CASAIS MONTEIRO, no dia 13 DE JANEIRO DE 1935

E o curioso da história: Nessa data nasceu, na freguesia da Glória, na cidade de Aveiro, sob o estigma do POLICIÁRIO, este Vosso Amigo e servidor:
João Artur dos Santos Mamede. Policiáriamente alcunhado: JARTUR.
E posto isto, atentem aos anexos! "

Filologia

POLICIAL OU POLICIÁRIO?

por DR. RAUL MACHADO

Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa

Digamos desde já que pode ser policial e policiário, porque um e outro estão bem formados, como o estão também os adjectivos judicial e judiciário. Estes últimos, porém, contam já longos anos de existência, pois vêm lá do velho latim judicialis e judiciarius, ao passo que os outros dois, trazidos aqui ao tribunal da crítica, não gozam de avançada idade.

O adjectivo policial só aparece registado a primeira vez na 2.ª edição do dicionário de Morais (a 1.ª, de 1813, não inclui o termo); encontra-se ele depois em todas as edições até à 9.ª (a 10.ª ainda não chegou a essa palavra, nem sequer à letra P). Os dicionários de Cândido de Figueiredo e o de Caldas Aulete, muito posteriores ao de Morais, registam igualmente o termo policial.

Não custa nada afirmar que todos os dicionários e vocabulários, de maior ou menor categoria — foram manuseados para este fim doze léxicos diferentes, além dos referidos acima — todos, sem excepção, arquivam o vocábulo policial. A «Enciclopédia Portuguesa e Brasileira» é a primeira publicação lexical portuguesa que regista o termo policiário, em data bastante recente. Mas note-se que o vocábulo policiário vem anotado ali, não como adjectivo, mas como substantivo, para significar «instituição restritiva das liberdades sociais ou humanas»; e cita-se, como abonação para a palavra policiário, um passo de Silva Bastos, pág. 42, da História da Censura Intelectual em Portugal: «...a Inquisição e o Jesuítismo, os dois famosos policiários da Contra-Reforma...»

É, pois, lícito inferir que, pela consulta dos registos vocabulares existentes no país, o adjectivo policiário é um neologismo de criação recente, ainda não incluído nos léxicos nacionais.

Quem terá criado esse neologismo?

Parece que o termo policiário, como adjectivo, saiu a primeira vez da mão de Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, no dia 13 de Janeiro de 1935, e publicada na «Antologia de Autores Portugueses e Estrangeiros» - Poesia - Fernando Pessoa - Segundo Volume, pág. 10, onde se lê a seguinte expressão: «novela policiária».

Criado, esse adjectivo novo tem proliferado largamente em múltiplas expressões, como «problema policiário», «coisa policiária», «família policiária», «colecção policiária». Formou-se, a par, o substantivo policiário, que entra em frases como as seguintes: «uma sátira ao policiário de conceções americanas»; «o policiário tinha sido desenvolvido em Portugal com e por Reinaldo Ferreira»; «havia os bons e os maus romances, como no policiário havia os bons e maus autores»; etc.

As expressões e frases agora citadas, com o termo policiário, adjetivo e substantivo, respigaram-se na Separata n.º 4 (Vol. 30) da Coleção XIS.

Nesta mesma separata se observa que, a propósito de uma festa do semanário Cartaz, alguém usou, ao microfone e na representação, «dezenas de vezes o termo policial, e nem uma só o policiário».

Em outro local, na «História do Conto Policial» de Vítor Palla, empregando-se com largueza a palavra policial, acrescenta-se «policiárias, dizia Fernando Pessoa».

O aparecimento do vocábulo na carta do poeta da Mensagem para Casais Monteiro, a paternidade do termo atribuída a Fernando Pessoa, o uso recente e abundante da palavra, dão-nos a convicção de que antes de 1935 não havia penetrado no léxico em Portugal o adjetivo policiário.

Perguntar-se-á agora se o termo policiário, adjetivo e substantivo, fazia ou faz falta na língua portuguesa, onde vive, há mais de cem anos, a palavra policial.

Notemos, antes de mais nada, o facto palpável da existência atual de um género novo de literatura de ficção em que abundam os temas de caráter policial. Notemos, ao mesmo tempo, que o organismo policial, incumbido oficialmente e legalmente da investigação policial, não intervém direta nem indiretamente na descoberta desses crimes de fantasia, nem na sua análise, nem na prisão dos seus autores, nem na organização dos seus processos e julgamento.

Tais crimes fictícios, praticados e expostos para matar ócios e para aguçar a perspicácia policial dos leitores, existem apenas como imitação e elaboração romanceada de casos que poderiam, infelizmente, ter acontecido, mas, felizmente, só acontecem na fantasia. Não são, em suma, a exposição da triste realidade, como a lemos e vemos em livros, jornais e revistas, com narrações pormenorizadas de casos vividos, que deixam a humanidade consternada e perplexa. Essas descrições minuciosas e circunstanciadas como enigmas a puxar à subtileza e à argúcia, ou como charadas para desalentar a paciência de Job, reduzem-se, em última análise, à pura literatura romanesca.

Parece-me, por isso, que à existência recente deste género literário, ou desta tendência da literatura de ficção, em livros, jornais e revistas, lhe quadra bem o adjetivo policiário, recém-criado. Adapta-se perfeitamente a essa finalidade literária, e serve para separar dos temas fictícios, romanceados, confinados à literatura, o aspeto oficial, legal ou jurídico dos casos reais. Assim diríamos: «história policiária», «problema policiário», «enigma policiário», «novela policiária», «matéria policiária»; enfim, «literatura policiária», etc. Isto quanto ao adjetivo.

Quanto ao substantivo... Julgo que este deveria empregar-se não sob a forma substantivada do adjetivo masculino (o policiário), mas sob a forma do feminino, a policiária; e englobaria a (matéria) policiária, a (técnica) policiária, a (questão) policiária, a (literatura) policiária, etc. É assim que nós empregamos, no feminino, segundo a tradição linguística, muitos outros termos de assuntos literários e científicos, provenientes de adjetivos femininos: a gramática, a técnica, a épica, a dinâmica, a acústica, a balística, a política, etc. O substantivo policiário, no masculino, parece que cheira um pouco, embora não tresande muito, a francesismo (le policier). Ou talvez não...

Seja, porém, como for, eu por mim inclino-me para o adjectivo biforme, policiário — a, e para o substantivo, a policiária. Mas, nas coisas linguísticas, quem manda é o uso, que não a inclinação. Pode dar-se aqui também o que acontece às vezes na moda: — a extravagância e o exagero impõem-se e sobrepõem-se ao gosto.

         VÍDEOS POLICIAIS 


( aqui no blogue quinzenalmente às 2ª.s feiras )

Pode ver no final do BLOGUE o VÍDEO 
os

Sherlock Holmes

| de volta ás origens com os filmes que fizeram história |



( vídeo legendado )


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domingo, 19 de julho de 2026

 À VOLTA DO PASSADO
( aqui no blogue quinzenalmente aos Domingos )


designação da SECÇÃO POLICIÁRIA : 


Revista completa e digitalizada do original .



n.º especial de Agosto 1955