| LOCAL DO CRIME |
A investigação de um local de crime assenta num
princípio fundamental da criminalística: o Princípio da Troca de Locard,
que estabelece que "qualquer contacto deixa um rasto". O autor
do crime leva algo do local ou deixa algo nele.
Para evitar a contaminação ou perda de provas, os
peritos seguem uma metodologia rigorosa e padronizada.
O Passo a Passo
no Local do Crime
A ordem das acções no local do crime é crítica para
garantir que as provas recolhidas sejam admissíveis em tribunal.
1.1. Isolamento e Preservação: Primeiros socorros e contenção.
A primeira equipa no local presta socorro a potenciais
vítimas e isola imediatamente o perímetro com fita sinalizadora. Cria-se
uma zona de acesso restrito e regista-se a entrada de qualquer pessoa (livro de
registo de cena).
2.2. Reconhecimento e Fixação do Estado Inicial: Registo fotográfico e videográfico.
Antes de tocar em qualquer objecto, documenta-se a
cena exactamente como foi encontrada. São tiradas fotografias panorâmicas, de
média distância e de grande plano (com réguas de escala), além da elaboração do
croqui (esboço do local com medições precisas).
3.3. Busca Sistemática de Vestígios: Padrões de varredura.
Os peritos aplicam métodos formais de busca (em
espiral, grelha ou faixas paralelas) para localizar vestígios visíveis e
microscópicos, assinalando cada um com marcadores numéricos.
4.4. Recolha e Acondicionamento: Técnicas específicas por tipo de prova.
Cada evidência é recolhida com equipamento de proteção
(luvas, moscas, fatos descartáveis) para evitar contaminação por DNA humano. O
acondicionamento varia: vestígios biológicos em sacos de papel respiráveis
(para evitar bolor), vestígios voláteis em recipientes herméticos.
5.5. Cadeia de Custódia: Rastreabilidade legal.
Gera-se uma documentação ininterrupta que regista quem
recolheu, transportou, analisou e guardou a prova. Falhas na cadeia de custódia
podem anular a prova em tribunal.
Categorias
Principais de Provas
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Categoria
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Exemplos
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O que revela
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Biológicas
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Sangue, saliva, cabelos, esperma
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Perfil genético (DNA), toxicologia
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Lofoscópicas / Impressões
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Pegadas, impressões digitais, marcas de pneus
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Identificação directa do indivíduo ou veículo
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Traços e Microvestígios
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Fibras de roupa, tinta, resíduos de disparo (GSR)
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Associação entre o suspeito e o local ou vítima
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Digitais
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Telemóveis, discos rígidos, routers, routers de vigilância
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Dados de geolocalização, horários e mensagens
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Nota Crítica: A utilização de
luzes UV/forenses (ALS - Alternate Light Sources) e reagentes químicos
como o Luminol permite detectar vestígios de sangue ou fluidos corporais
mesmo após tentativas de limpeza do local.