À VOLTA DO PASSADO
( aqui no blogue quinzenalmente aos Domingos )
sábado, 29 de agosto de 2026
( aqui no blogue ... ocasionalmente )
O
Caso do Peru Assado e o Piano de Tricô
O detective Silvério entrou no
necrotério ajustando a gravata borboleta que usava por cima do pijama de
flanela. O cadáver sobre a mesa de inox era um peru assado de Natal, perfurado
por três tiros de fita adesiva.
— Qual é o diagnóstico,
doutor? — perguntou Silvério, tirando um microscópio do bolso da jaqueta.
— Morte por excesso de
terça-feira — respondeu o legista, um gato de pelúcia que se comunicava
exclusivamente por cartazes em néon. O cartaz no tecto piscava: O CULPADO É O
PIANO.
Silvério anotou a pista em uma
fatia de queijo prato com uma caneta que cuspia bolhas de sabão. Ele sabia exactamente
onde encontrar o tal piano: no porão do Farol de Alexandria, localizado
misteriosamente no terceiro andar daquela mesma delegacia.
— Aonde você estava no dia
do crime? — interrogou o detective, sacando uma colher de pedreiro.
— Eu estava no tribunal do
mar, sendo julgado por nadar de costas sem carteira de motorista — o piano
cantou em mi menor, soltando notas musicais de papel de lustro que flutuavam
pela sala.
Nesse momento, a lâmpada
acendeu mais forte e confessou:
— Foi tudo um
mal-entendido! O peru era meu tio e só queria aprender a dançar tango no
micro-ondas!
Silvério suspirou, guardou a colher de pedreiro na orelha e algemou o próprio sapato esquerdo. Caso encerrado. Ele subiu em uma bicicleta sem rodas e pedalou em direcção ao tecto, desaparecendo na fumaça de um café que ninguém tinha tirado.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
| ATENÇÃO | ATENÇÃO | ATENÇÃO | ATENÇÃO |
O mês de Setembro vem
com Novidades Murdoku
Até agora, já explorámos 5
Desafios Clássicos de Murdoku : enigmas de lógica e dedução puras
construídos sobre cenários contemporâneos, onde a observação minuciosa e o
raciocínio matemático foram os pilares para encontrar a solução. Estes desafios
iniciais testaram a capacidade de isolar variáveis, analisar inconsistências em
depoimentos e seguir pistas estruturadas num ambiente de regras claras e
previsíveis.
Agora a Nova Era: com 5
Desafios da Idade Média de Murdoku
Transportamo-nos agora para
a Idade Média — uma época de
castelos, corporações de ofício, tribunais eclesiásticos e manuscritos cifrados.
Para esta nova fase, as regras mudam um pouco, fundamentalmente para elevar a dificuldade com incertezas,
restrições e cálculos … !
E assim vamos alternando de 5 em 5 desafios Murdoku , entre ciclos que contemplam ora os Clássicos , ora os da Idade Média .
E já sabem , que as participações serão sempre publicadas na íntegra quando da publicação da solução ao desafio , mas agora apresentadas com destaque , tipo ranking , valendo ainda assim e como anteriormente , apenas a menção ao assassino(a) sem qualquer grafismo … ! Fica ao critério de cada um .
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
após : 5. Sessão de Estudo ( Murdoku Clássico )
Arco-Íris | Bela | Clóvis | Detective Jeremias
Faria | Inspector 27797 | Inspector Moscardo
Mandrake Mágico | Os Super Heróis do Policiário
Mali | Pintinha
participações (02) | totalistas (02)
Detetivesca | EGO
participações (01) | totalistas (01)
Detective Vasofe | Didão | Loveday Brooke | Rainha Katya
5. Sessão de Estudo ( clássico )
Aqui os bloqueios :
1.A tem de estar na
cama da linha 4 .
Bloqueia o resto da linha .
2.Isto elimina a janela na linha 4,
por isso C tem de
estar em frente a uma das outras janelas, na linha 1 .
3.D não está numa cadeira ( visto que B é a única pessoa numa
cadeira ), por isso só pode estar na
Casa de Banho, na linha 6, coluna 4 .
4.Isto isola E ao lado da Televisão .
5.Isto isola C, depois A.
6.B está na última cadeira .
7.Isto isola V na Sala de Estar com E .
Evelyn é a assassina !
Aqui as posições depois dos bloqueios :
1. AARON: é o 1º a ocupar a cama, embora numa situação não definitiva; como a cama ocupa 2 quadradinhos, só é possivel bloquear a linha correspondente, sem bloquear a coluna.
2. DONNA: é a 2ª a ir para o quadradinho que lhe é atribuído na Casa de Banho; aqui há dois espaços que poderiam ser ocupados, mas como um é uma cadeira, e as instruções referem que “Bruno era a única pessoa sentada numa cadeira”, Donna é obrigada a ocupar o outro lugar.
3. EVELYN: é a 3ª e vai para o lugar que ficou disponível ao lado da televisão, visto os outros terem sido bloqueados por Donna.
4. CLARA: é a 4ª interveniente a ocupar o seu quadradinho frente à janela que ficou disponível; a consequência é Aaron ficar a ocupar o quadradinho direito da cama.
5. BRUNO: vai sentar-se na cadeira do escritório que está disponível
6. VINCE: só lhe resta um quadradinho vazio na Sala de Estar
Muito rapidamente, o assassino é o Bruno.
DETETIVE BOAVIDA
ARAON está no quarto, já deitado,
com CLARA, de pé, junto à janela;
BRUNO está no escritório sentado,
triste por D no WC não lhe dar trela;
E EVELYN está só na sala de estar,
à espera de VINCE para… o matar!
INSPECTOR 27797
A assassina foi a Evelyn !
Acho que é a EVELYN.
DICK TRACY
A assassina do Vince terá sido a Evelyn.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
AMANHÃ ... A NÃO PERDER AQUI
SOLUÇÃO e PARTICIPAÇÕES
Ver estas participações na procura da
originalidade é a prova de que a inovação não acontece por acaso—ela é o
resultado directo da paixão, do empenho e da ousadia de cada um em pensar fora
da caixa. O resultado não poderia ser outro: soluções apresentadas de forma
surpreendente que elevam a barra do projecto , iniciado com o lançamento do
MURDOKU, aqui neste espaço !
Mas e por isso , entre as muitas novidades que vão acontecer já em Setembro com o "novo" MURDOKU, as participações vão fazer parte de um ranking que definirá o "valor" de cada uma , em cada desafio ... !
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
É sempre bom saber ... para os indecisos !
Criar um mistério policial verdadeiramente envolvente exige controlar cuidadosamente a informação que entrega ao leitor, mantendo a história justa, mas surpreendente.
A Regra do Jogo Limpo : O leitor deve ter acesso às mesmas
pistas que o detective. A surpresa final deve fazer o leitor pensar: "Como é que não vi isto
antes?" e nunca "Isso
é impossível, a história inventou factos no fim".
O Truque da Dupla Camada : Escreva a história do crime ao
contrário antes de começar a narrativa.
·
A
História Real: O
que realmente aconteceu, passo a passo (quem, como, quando e porquê).
·
A
História da Investigação:
A ordem em que o detective descobre as pistas. O enigma surge da diferença
entre a ordem real dos factos e a ordem em que são revelados.
Técnicas para Esconder Pistas
·
Esconder
à vista de todos : Apresente
uma pista crucial acompanhada por duas ou três informações banais. Se o detective
encontra uma chave, uma nota de restaurante e um maço de tabaco, o leitor
focar-se-á no maço de tabaco e ignorará a nota.
·
Mudança
de Significado :
Mostre um objecto ou comportamento que parece servir para uma coisa, mas depois
revela-se ter outro propósito (ex.: um relógio partido não parou na hora da
morte, foi adiantado de propósito para criar um álibi).
·
A Pista
Falsa : Crie
suspeitos com segredos reais, mas irrelevantes para o assassinato. Um suspeito
pode agir de forma extremamente culpada não porque matou a vítima, mas porque
estava a roubar a empresa ou a ter um caso amoroso.
A Arte dos Suspeitos
·
Dê
a pelo menos três personagens um motivo forte, uma oportunidade e um segredo.
·
Faça
com que o verdadeiro culpado pareça útil ou inofensivo na maior parte do tempo,
evitando o cliché do "mordomo" ou do vilão caricatural.
A partir daqui , embarque nesta aventura e faça o seu próprio Problema Policial … !
( aqui no blogue ... ocasionalmente )
O Alfaiate de Sombras
A cela número 14 tinha exactamente três passos de
largura por quatro de comprimento. Para Samuel, um professor de literatura
condenado por ousar pensar diferente do regime, aquele espaço deveria ser o seu
túmulo psicológico. Os guardas sabiam que o isolamento quebrava um homem mais
rápido do que a fome.
Nos primeiros meses, o silêncio e a humidade quase o
engoliram. Mas Samuel tomou uma decisão: eles podiam trancar o seu corpo, mas não tinham a chave da sua mente.
Todas as manhãs, após o som estridente da sirene que anunciava o amanhecer, Samuel iniciava a sua rotina de sobrevivência.
Às 8:00: Ele caminhava os três passos de um lado para o outro, durante uma hora,
imaginando que estava a passear pelas ruas de Lisboa, cumprimentando vizinhos
invisíveis.
Às 10:00: Ele sentava-se no chão de cimento e, usando um pequeno pedaço de carvão
que encontrara no pátio, escrevia poemas e equações na sola dos seus sapatos.
Quando a sola ficava preta, ele apagava tudo com a saliva e o próprio dedo,
pronto para recomeçar no dia seguinte.
Às 14:00: Era a hora da "pesca".
A cela tinha uma única e minúscula fresta de luz no alto da parede de pedra. Durante trinta minutos por dia, um raio de sol cruzava o ambiente. Samuel posicionava-se exactamente onde o raio tocava o chão. Ele fechava os olhos e sentia o calor na pele. Naqueles trinta minutos, ele não era um prisioneiro; ele estava numa praia, ou num parque, ou abraçando a sua filha.
Os guardas observavam-no pelo “olho-mágico”. Esperavam
ver um homem a chorar, a implorar ou a falar sozinho com desespero. Em vez
disso, viam Samuel com uma postura erecta, os olhos calmos e um leve sorriso no
rosto. Isso os enfurecia.
Um dia, o chefe da guarda, um homem brutal chamado inspector Santos, entrou na cela.
Samuel olhou para o guarda. Não havia ódio nos seus
olhos, apenas uma quietude profunda.
— O senhor pode controlar as paredes que me cercam,
inspector — disse Samuel, com a voz serena. — Pode controlar a comida que me dá
e as roupas que visto. Mas a minha mente? Essa continua a ser minha. Hoje de
manhã, eu li três livros, visitei a minha mãe e caminhei à beira-mar. O senhor
tem a chave da cela, mas eu tenho a chave do meu mundo.
Santos recuou um passo, confuso e secretamente
assustado com aquela força que não vinha dos músculos, mas do espírito. Saiu
batendo a porta de ferro.
Os anos passaram. O regime político acabou por cair, e as portas da prisão foram abertas.
Quando Samuel saiu para a luz do dia, os seus cabelos
estavam brancos e as suas mãos calejadas, mas os seus olhos brilhavam com a
mesma vivacidade do dia em que entrara. Os outros prisioneiros saíram
quebrados, mas Samuel saiu inteiro. Ele não tinha apenas sobrevivido ao
cativeiro; ele tinha-o vencido dia após dia, provando que a resiliência é a
recusa absoluta de entregar a nossa dignidade e a nossa liberdade interior a
quem quer que seja.
domingo, 23 de agosto de 2026
Aproxima-se,
inclina-se discretamente e sussurra-lhe ao ouvido:
— Não se mexa, já anotei
tudo... Sei perfeitamente o que está aqui a fazer.
O homem
olha para ele, admirado, e pergunta:
— A sério ? E o que é ?
E o
detective responde, confiante:
— Está à espera que os ponteiros avancem ! Nada
me escapa.

