( aqui no blogue ... ocasionalmente )
O Sete ensina a escrever Problemas Policiários
| MAIO de 1975 |
Há dias , um leitor perguntou-me se era muito difícil
fazer um problema policiário .
Claro que não …
Começamos a brincar com uma esferográfica que possa escrever e uma folha de
papel em branco ( condições essenciais ) e em vez de riscos ou desenhos
alinhavamos palavras de frases que se ligam entre si… Por exemplo :
Naquele dia, e naquela
enorme vivenda metida dentro do grande jardim ao Campo Grande , havia uma coisa
com a qual alguns tinham contado, por convite : A festa de anos da Géninha, uma
bonita moça de 20 anos …
Mas com o que ninguém contara fora com a carga de água que desabara logo a
seguir ao almoço e se prolongara pela tarde fora, empapando as terras do jardim
e fazendo correr caudais de águas sujas pelas valetas … Fora um desastre !
Fatos e calçado, ficaram em mísero estado …
Mesmo assim, e como marcavam os convites a partir das 17h00 muitos foram os que
não quiseram faltar… E era vê-los, descer dos carros à porta do jardim, correr
pelo saibro empapado de terras negras e chegar à entrada do palacete onde os
enormes capachos os esperavam e as criadas rapidamente limpavam a chuva dos
fatos .
Até aqui já nós chegámos e demos parte do ambiente e da
entrada … Lá dentro …
A festa decorria animada,
com muitas conversas e boa música … Havia, entretanto, um número especial que
era o da oferta de prendas …
Consistia em cada um entregar a sua prenda à aniversariante e dar-lhe dois
sonoros beijos nas faces, enquanto a luz estivesse apagada durante 1 minuto, pelas
19h00 …
E já arranjámos um meio de interesse …
Simplesmente,
a falta da luz ultrapassou mais do que o minuto previsto, e com borrasca e o
céu carregado de nuvens negras, mal se via dentro do palacete … E a luz não
vinha… Até que alguém se lembrou de ir ver o quadro geral … Um brincalhão, por
certo, tinha-o fechado …
E depois da descoberta, continuamos a nossa história …
Ás 20h00, a dona da casa,
que subira ao primeiro andar , apareceu afogueada dizendo que alguém lhe
roubara as joias que deixara no cofre fechado no seu quarto … E explicou logo
que a janela estava aberta, batendo levemente e que havia uma escada encostada
ao parapeito.
Fora por ali, por certo, que o ladrão tinha entrado e saído… Depois da entrega
das prendas, quando subira pela primeira vez, ainda estava tudo normal …
E como entre os convidados se encontrava o novelista policiário Ruy Villalba,
este logo se interessou pelo caso e pediu uma lanterna à dona da casa…
Agora vamos ver qual a ideia e que volta vai ele dar ao
assunto …
Daí a pouco, ele, o dono
da casa e um outro convidado que quis arrostar com a chuva , agora miudinha,
foram ao jardim e logo viram, sobre o canteiro de relva debaixo da janela do
quarto do primeiro andar , uma leve escada de alumínio, cujos pés mal afloravam
a fofa relva, brilhando sob o foco da lanterna eléctrica…
Surpreendido mas satisfeito, Ruy Villalba e o pequeno grupo, regressaram,
limparam bem os pés que tinham voltado a ficar cheios de lama, e subiram ao
primeiro andar.
Vimos o exterior e agora vamos ver o interior …
Quarto amplo, quase
integralmente coberto por espessa alcatifa acinzentada … Nos vãos das janelas,
e portas, um bonito parquete encerado …
Tudo limpo e muito brilhante .
Na janela que o vento fazia bater ligeiramente viam-se as extremidades da leve
escada de alumínio … A pouca distância do vão, caído meio sobre a espessa
alcatifa meio sobre o parquete brilhante , o bonito cofre, de fechadura com
segredo, agora sem recheio .
E pronto, amigos estamos a chegar ao fim …
Ruy de Villalba, após a
sua inspeção , sorriu-se e disse para o dono da casa :
- Não há dúvida que a coisa está bem armada com uma certa piada… Também estava
dentro do «complot» ? … Aparentemente dá a impressão que foi roubo… Mas nós
sabemos que foi uma simples partida feita aos convidados… Uma espécie de jogo .
O dono da casa sorriu-se …
- Não lhe escapa nada , Ruy !...
E acabámos. Não fazemos perguntas. Mas cada um de vocês
vai escrever o raciocínio seguido por Ruy de Villalba, baseando-se nos factos e
pistas espalhados pelo texto. Não se assustem, porque é muito fácil… Leiam
outra vez e depois …contem-me o que lhes aconteceu …
SETE de ESPADAS
- MUITO BOM! PARABÉNS!! (O Gráfico)
ResponderEliminarObrigado
EliminarParabéns!
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