sexta-feira, 27 de março de 2026


 ( aqui no blogue ... ocasionalmente )

O Sete ensina a escrever Problemas Policiários


| MAIO de 1975 |

Há dias , um leitor perguntou-me se era muito difícil fazer um problema policiário .
Claro que não …
Começamos a brincar com uma esferográfica que possa escrever e uma folha de papel em branco ( condições essenciais ) e em vez de riscos ou desenhos alinhavamos palavras de frases que se ligam entre si… Por exemplo :

Naquele dia, e naquela enorme vivenda metida dentro do grande jardim ao Campo Grande , havia uma coisa com a qual alguns tinham contado, por convite : A festa de anos da Géninha, uma bonita moça de 20 anos …
Mas com o que ninguém contara fora com a carga de água que desabara logo a seguir ao almoço e se prolongara pela tarde fora, empapando as terras do jardim e fazendo correr caudais de águas sujas pelas valetas … Fora um desastre ! Fatos e calçado, ficaram em mísero estado …
Mesmo assim, e como marcavam os convites a partir das 17h00 muitos foram os que não quiseram faltar… E era vê-los, descer dos carros à porta do jardim, correr pelo saibro empapado de terras negras e chegar à entrada do palacete onde os enormes capachos os esperavam e as criadas rapidamente limpavam a chuva dos fatos .

Até aqui já nós chegámos e demos parte do ambiente e da entrada … Lá dentro …

A festa decorria animada, com muitas conversas e boa música … Havia, entretanto, um número especial que era o da oferta de prendas …
Consistia em cada um entregar a sua prenda à aniversariante e dar-lhe dois sonoros beijos nas faces, enquanto a luz estivesse apagada durante 1 minuto, pelas 19h00 …

 E já arranjámos um meio de interesse …

Simplesmente, a falta da luz ultrapassou mais do que o minuto previsto, e com borrasca e o céu carregado de nuvens negras, mal se via dentro do palacete … E a luz não vinha… Até que alguém se lembrou de ir ver o quadro geral … Um brincalhão, por certo, tinha-o fechado …

E depois da descoberta, continuamos a nossa história …

Ás 20h00, a dona da casa, que subira ao primeiro andar , apareceu afogueada dizendo que alguém lhe roubara as joias que deixara no cofre fechado no seu quarto … E explicou logo que a janela estava aberta, batendo levemente e que havia uma escada encostada ao parapeito.
Fora por ali, por certo, que o ladrão tinha entrado e saído… Depois da entrega das prendas, quando subira pela primeira vez, ainda estava tudo normal …
E como entre os convidados se encontrava o novelista policiário Ruy Villalba, este logo se interessou pelo caso e pediu uma lanterna à dona da casa…

Agora vamos ver qual a ideia e que volta vai ele dar ao assunto …

Daí a pouco, ele, o dono da casa e um outro convidado que quis arrostar com a chuva , agora miudinha, foram ao jardim e logo viram, sobre o canteiro de relva debaixo da janela do quarto do primeiro andar , uma leve escada de alumínio, cujos pés mal afloravam a fofa relva, brilhando sob o foco da lanterna eléctrica…
Surpreendido mas satisfeito, Ruy Villalba e o pequeno grupo, regressaram, limparam bem os pés que tinham voltado a ficar cheios de lama, e subiram ao primeiro andar.

Vimos o exterior e agora vamos ver o interior …

Quarto amplo, quase integralmente coberto por espessa alcatifa acinzentada … Nos vãos das janelas, e portas, um bonito parquete encerado …
Tudo limpo e muito brilhante .
Na janela que o vento fazia bater ligeiramente viam-se as extremidades da leve escada de alumínio … A pouca distância do vão, caído meio sobre a espessa alcatifa meio sobre o parquete brilhante , o bonito cofre, de fechadura com segredo, agora sem recheio .

E pronto, amigos estamos a chegar ao fim …

Ruy de Villalba, após a sua inspeção , sorriu-se e disse para o dono da casa :
- Não há dúvida que a coisa está bem armada com uma certa piada… Também estava dentro do «complot» ? … Aparentemente dá a impressão que foi roubo… Mas nós sabemos que foi uma simples partida feita aos convidados… Uma espécie de jogo .
O dono da casa sorriu-se …
- Não lhe escapa nada , Ruy !...

E acabámos. Não fazemos perguntas. Mas cada um de vocês vai escrever o raciocínio seguido por Ruy de Villalba, baseando-se nos factos e pistas espalhados pelo texto. Não se assustem, porque é muito fácil… Leiam outra vez e depois …contem-me o que lhes aconteceu …

SETE de ESPADAS


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