quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 
( aqui no blogue mensalmente ás 4ª. feiras )

Casal Perfeito

Quando vim morar, para onde continuo até hoje, era uma miúda com 14 anos, vim só com a minha mãe, já que o meu pai faleceu tinha eu 11, para um quarto alugado, com serventias, como se dizia na altura.
Nesse tempo, no bairro havia tudo, nada como hoje, em que estes bairros tradicionais, estão cada vez mais a desaparecer, pelo menos o que era um conceito de bairro popular, este de que falo e onde vivo era o bairro de Santa Catarina, hoje Misericórdia.

Os vizinhos, conheciam-se todos, eram amigos, prontos a ajudar, mas também muito dados a disse que disse, mas de que hoje tenho saudade.
Embora houvesse quase todo o comércio, havia aqui perto da minha casa, uma tasca, onde além de vender vinho, tinha também inúmeros bens, a que as pessoas recorriam, em casos de esquecimento ou falhas de última hora.

Ora, esta tasca, pertencia a um casal muito peculiar, ela mulher forte, "grande" dominadora, quase sempre mal disposta e que mantinha ali o marido, como um criado...
Ele, franzino, magrinho, sempre infeliz, anda sempre a "nove" a mando dela, por ser um esquecido da sorte.
Certo dia, a minha mãe, teve de recorrer a essa loja, e quem a atendeu foi o homem, muito "amarelinho" e solicito!

Lá de dentro (havia um quintalzinho ), ouviam-se os gritos da mulher, ralhando com o marido por qualquer coisa, como era costume, vociferando mata-te homem, já que és um desgraçado...


A minha mãe cheia de pena do homem (ela ainda não sabia do estado civil dele) e disse:

- A sua mãe, parece zangada consigo...
- Minha mãe, minha senhora, quem me dera… é a patroa...
- Oh coitado, quem tem de trabalhar...que remédio...é a vida...
- Não minha senhora, dizia ele numa voz quase inaudível: 

- É minha mulher...

Muito envergonhada, continua a minha mãe: - Ah! O senhor é casado com ela!!!
-  Maldita hora, mais valia ter morrido, "aquilo" é uma víbora..

Pronto, a minha mãe pagou e saiu, corada de vergonha, vindo contar-me aquele episódio. Passados alguns dias, encontrei-o eu, sentado nos degraus, da entrada da minha porta, quase chorando e lamentando-se: Agora por uma hora, fico aqui e já não vês, maldita...

Foram passando alguns tempos, sempre neste ritual, até que certo dia, a tasca não abriu, e esteve fechada muito tempo, até que reabriu só com a mulher, já com outros modos, mas sempre maldisposta...

E o marido? 
O que constou, foi que ele se atirou á linha do comboio, e o certo é que nunca mais apareceu, nem foi visto...

Atualmente, a tasca já não existe, mas a mulher, está num Lar!




MALI



Quer ver o seu conto aqui publicado ? Envie-o para viroli@sapo.pt ! Desde já aqui fica o agradecimento por ter reservado algum do seu tempo para manter aqui a HORA do CONTO ... !

5 comentários:

  1. Uma autêntica história da vida . Obrigado pela partilha .

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  2. Histórias de Vida! Eis um exemplo de como qualquer leitor pode escrever um Conto! Participe.🌈

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  3. Eu mudaria o título, para: CASAL (IM)PERFEITO!🌈

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  4. Penso eu que a MALI ao atribuir este título , quis muito simplesmente ser irónica ... !
    Virmancaroli

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  5. Claro, como é lógico, o título é uma ironia, mas a história, passou-se assim (com muito mais verborreia, proferida pela mulher) como devem
    imaginar🧑🏻‍❤️‍💋‍🧑🏼

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