sábado, 18 de julho de 2026

 

Destaque deste mês para a Solução ao Problema Curto - 08


OS GÉMEOS
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Estamos numa manhã, de sábado, com muito calor, 4 de julho de 2026, nos Estados Unidos da América festejam-se os 250 anos da sua independência, no Policiário é dia de aniversário da consagrada “Detective Jeremias” e o “Momento do Policiário” apresenta mais um “Problema Curto”, o n.º 8, desta vez designado como “Os Gémeos...”! No Céu, nada de “Arco-Íris”… porque ele encontra-se resguardado em sua “casa”… a decifrar este problema policiário… onde uma rapariga, numa viagem às Caraíbas, conheceu dois jovens negros, conviveu com um deles na praia, durante a noite… e acabou sendo assassinada, por uma pancada na cabeça, através de uma garrafa de cerveja! Ambos, rapariga e um dos rapazes, foram vistos por testemunhas… na praia… só ela e um deles…, mas apesar dos recipientes encontrados junto do cadáver… terem vestígios de ADN, da vítima e do agressor… proveniente de saliva e impressões digitais… como se poderia provar… quem teria sido o assassino… se os gémeos tinham o mesmo ADN?? E ao correr da pena, o “Arco-Íris”, após leitura, atenta, das imagens, começou a redigir os seus raciocínios pela maneira que se segue:


O primeiro reparo foi verificar que os jovens com quem a rapariga se divertiu eram gémeos de raça negra, mas esse facto não servia para deslindar o caso, ou seja, identificar o assassino porque apesar de serem de raça negra, o seu ADN, por serem gémeos, não se diferencia! A saliva encontrada na garrafa, aquela que parecia ser a prova irrefutável, não servia para identificar o assassino!

Esta é uma questão muito interessante e desafiadora na área da genética forense!

Quando os suspeitos são gémeos idênticos (monozigóticos: (Biologia) - Que provém do mesmo ovo ou óvulo), o ADN nuclear tradicional — que normalmente é usado para identificar pessoas — é praticamente idêntico entre eles, já que derivam do mesmo zigoto. Isso significa que os testes de ADN convencionais não conseguem diferenciar um do outro.

No entanto, há algumas abordagens que podem ajudar a distinguir entre gémeos idênticos:

1. Análise de mutações somáticas: Ao longo da vida, pequenas mutações vão acontecendo nas células de cada pessoa. Em gémeos idênticos, essas mutações podem ser ligeiramente diferentes, criando variações no ADN que podem ser detetadas através de técnicas muito sensíveis, como o sequenciamento profundo (deep sequencing).

O sequenciamento profundo (ou deep sequencing) é uma técnica de análise genética de alta resolução que lê os fragmentos de DNA ou RNA de uma amostra centenas ou milhares de vezes. Esta repetição (profundidade de cobertura) garante uma precisão extrema, permitindo detetar mutações raras ou células tumorais isoladas que passariam despercebidas em métodos tradicionais. É frequentemente utilizado na área clínica e de investigação através de plataformas de Sequenciação de Nova Geração (NGS).

 2. Metilação do ADN e epigenética: Algumas diferenças epigenéticas, como padrões de metilação do ADN, podem variar entre gémeos e, potencialmente, ajudar na diferenciação.

3. Análise do ADN mitocondrial ou outros marcadores genéticos menos convencionais: Embora o ADN mitocondrial seja herdado da mãe e seja igual nos gémeos, em alguns casos pode haver pequenas variações.

4. Outras evidências forenses complementares: Além do ADN, pode-se considerar impressões digitais, imagens de vídeo, testemunhos, entre outros elementos para ajudar na identificação correta.

Portanto, apesar da enorme semelhança genética entre gémeos idênticos, avanços tecnológicos permitem, em alguns casos, encontrar distinções genéticas suficientes para identificar o indivíduo específico.

Humanos, gémeos de raça negra têm ADN diferente que se possam diferenciar?

Depende exclusivamente do tipo de gestação.

Geneticamente, a raça ou etnia não altera o código genético base ou a forma como os gémeos são formados. O fator decisivo é se são gémeos idênticos (univitelinos) ou falsos (bivitelinos):

• Gémeos idênticos (Univitelinos): O ADN é virtualmente idêntico. Não podem ser diferenciados por testes de ADN convencionais.

• Gémeos falsos (Bivitelinos): O ADN é diferente. Formam-se a partir de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes, sendo geneticamente como irmãos normais que partilham cerca de 50% do ADN.

Após estas deduções, o “Arco-Íris”, descortinou, também, que os gémeos, negros, um era destro e o outro canhoto, porque pegavam nos copos de cerveja, com mãos diferentes!



Mas tal pormenor igualmente não serviria para resolver o imbróglio do caso porque em termos gerais, o ADN nuclear de gémeos idênticos (monozigóticos: (Biologia) - Que provém do mesmo ovo ou óvulo) é praticamente igual independentemente de um ser canhoto e o outro direito. Isso porque eles derivam do mesmo óvulo fertilizado e, portanto, possuem a mesma sequência genética.

No entanto, a lateralidade (ser canhoto ou destro) não depende apenas do ADN em si, mas também de fatores epigenéticos e ambientais durante o desenvolvimento no útero e após o nascimento. Esses fatores podem influenciar como certos genes são expressos e podem levar a diferenças na função cerebral que determinam a preferência manual.

Ou seja:

- Sequência de ADN: Igual nos gémeos idênticos, independente da lateralidade.

- Expressão gênica e epigenética: Pode variar e contribuir para diferenças como um ser canhoto e o outro destro.

Portanto, o facto de um gémeo ser canhoto e o outro destro não significa que o ADN deles seja diferente; as diferenças emergem principalmente da regulação genética e de influências não genéticas.


Ora, o caso continuava por resolver… mesmo que existissem testemunhas a afirmar que viram a rapariga na areia a confraternizar com um dos gémeos, mas… qual deles?

Provar que o ADN pertence especificamente a um dos gémeos idênticos sem engano é realmente um desafio, pois o ADN nuclear deles é praticamente igual. No entanto, existem algumas abordagens avançadas que podem ajudar a distinguir entre os gémeos:

1. Análise de mutações somáticas: Ao longo da vida, pequenas mutações ocorrem no ADN de cada pessoa. Mesmo gémeos idênticos podem desenvolver diferenças genéticas mínimas em algumas células. Técnicas muito sensíveis de sequenciação do ADN podem detetar essas mutações exclusivas num dos gémeos.

2. Epigenética: Embora o ADN seja igual, a forma como ele é "marcado" (metilação do ADN, por exemplo) pode ser diferente entre gémeos. Estas diferenças epigenéticas podem ser usadas para diferenciar os indivíduos.

3. ADN mitocondrial (ADNmt): O ADN mitocondrial é passado apenas pela mãe e costuma ser igual entre gémeos, portanto, normalmente não ajuda na diferenciação.

4. Outras evidências forenses complementares: Testemunhos, imagens de vídeo, impressões digitais (que são diferentes mesmo em gémeos), análises de saliva ou outros fluidos em locais específicos, etc.

5. Análise de RNA ou proteomas: Em investigação científica, às vezes se estudam diferenças na expressão gênica ou perfil proteico, que pode variar com base em fatores ambientais, mas isso ainda não é rotineiramente usado para provas legais.  

Resumindo: Para provar com certeza que o ADN é de um dos gémeos, normalmente recorre-se a técnicas muito sofisticadas de sequenciamento e análise genética que detetem pequenas diferenças adquiridas após a divisão do zigoto. Além disso, qualquer prova forense deve ser complementada com outras evidências para garantir a identificação correta.


…De repente, quando o deslindar do caso parecia complicado… o “Arco-Íris” que escrevia… escrevia… raciocinava… em base dos seus vastos conhecimentos… abriu-se-lhe uma “luzinha” no cérebro… que fez com que ele pensasse para si mesmo: “Mas… o que estou eu a dizer!? Ora, bolas… é mesmo isto…!! E já sublinhei sem pensar naquilo… a sério!! São as impressões digitais deixadas na garrafa! A história inclina-nos para a saliva do agressor deixada na garrafa assassina, mas SÃO AS SUAS IMPRESSÕES DIGITAIS QUE O INCRIMINAM! E SERÃO ATRAVÉS DELAS… QUE SE DESCOBRE O ASSASSINO! POIS… AS IMPRESSÕES DIGITAIS, MESMO DE GÉMEOS, SÃO DIFERENTES!! QUE COISA…”


Portanto, o caso não seria insolúvel! 

Na verdade, mesmo gémeos idênticos não têm impressões digitais iguais. As impressões digitais são formadas durante o desenvolvimento fetal e são influenciadas tanto por fatores genéticos quanto por pequenas variações ambientais no útero, tornando cada impressão digital única — até entre gémeos idênticos.

Portanto, se houver impressões digitais numa cena de crime, normalmente é possível distinguir a quem pertencem, mesmo que os suspeitos sejam gémeos idênticos.

Resumindo:

- Gémeos idênticos têm ADN nuclear praticamente igual, mas…

- Impressões digitais diferentes e exclusivas para cada indivíduo.

Assim, as impressões digitais podem ser usadas como prova para identificar qual dos gémeos esteve presente num local.

E após estas deduções… seria identificado o criminoso através das suas impressões digitais deixadas na garrafa assassina! Estavam na praia, com calor… não há a possibilidade de o assassino ter utilizado luvas! Seria facilmente identificado, apesar de ser gémeo!

E, de repente, parece que já não havia calor neste infernal 4 de julho!

SAUDAÇÕES Policiárias.

Arco-Íris

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